PASTOREIO DE ELEFANTES BRANCOS EM COIMBRA

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O executivo da Câmara Municipal de Coimbra, liderado por Ana Abrunhosa, confirmou a intenção de avançar com a construção de uma Arena Multiusos na margem esquerda do Mondego (em Santa Clara), no terreno atualmente ocupado pelo estaleiro dos SMTUC (que pelos vistos vai morrer).

O projeto está formalmente associado ao desenho de uma candidatura de Portugal para organizar as Universíadas de 2033, visando a captação de fundos estruturais europeus. Como funcionam as estruturas em Portugal, “se vem fundos da Europa vamos fazer um projeto”. A decisão surge num momento em que a autarquia enfrenta severas críticas pela ausência de um modelo de gestão continuada para as grandes infraestruturas existentes no Concelho, que somam dezenas de milhões de euros em subaproveitamento e custos de manutenção pesada.


Para os estudantes e cidadãos de Coimbra, o plano da autarquia demonstra que a "Inteligência Paralela" subiu ao poder nos Paços do Concelho. Planear a manutenção a longo prazo ou pensar em termos de sustentabilidade financeira real parece ser coisa de "malta que pensa pequeno". Em Coimbra, a especialidade da casa continua a ser o pastoreio e a criação intensiva de Elefantes Brancos de betão. O Executivo funciona como uma criança mimada numa loja de brinquedos, que se farta do brinquedo antigo de 50 milhões, encosta-o a um canto a apanhar ferrugem e faz uma birra monumental para que o contribuinte lhe pague uma extravagância nova.


O catálogo de monumentos ao abandono fala por si, ostentando números esmagadores. O primeiro grande exemplo é o Estádio Cidade de Coimbra, construído para o Euro 2004 por cerca de 50 milhões de euros. Como esta infraestrutura esteve em perfeito abandono, agora exige uma manutenção anual digna de um iate de luxo resultando numa degradação física crónica.


Tirando os jogos da Briosa e espetáculos megalómanos com anos de intervalo, que lhe retira a imagem de marca, o espaço carece de uma gestão articulada que lhe confira rentabilidade.

O segundo exemplo assenta no Convento de São Francisco, uma obra de 42 milhões de euros, mais um custo alto para manutenção, reduzida a um belíssimo deserto cultural. O orçamento municipal para a sua programação artística foi cortado em cerca de dois terços, eliminou-se a figura do programador cultural e retirou-se a autonomia de gestão, limitando o espaço a utilizações esporádicas ou corporativas que ignoram todo o eixo histórico-cultural de Santa Clara.


Perante um passivo de 92 milhões de euros em betão subaproveitado, a resposta da Praça 8 de Maio é despejar os autocarros dos SMTUC para ir a jogo em 2033. Se a Câmara Municipal tem tanta paixão por acumular mamíferos de grande porte ao abandono, sugerimos que abdique da Arena Multiusos e funde antes um Santuário Oficial para Elefantes Brancos. Pelo menos, faria mais sentido para o turismo regional e poupava uma fortuna que nos vai custar muito caro a todos. Que guardem as escavadoras e comecem a governar com a cabeça, porque a paciência de Coimbra já não está para jogos públicos.

 

AFG
24-07-2026