Hoje tive o grato prazer de assistir ao vivo ao jogo da Académica em Mafra.

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A equipa da casa tem um Complexo Desportivo que honra a cidade, um estádio bonito, um relvado bem cuidado. E é precisamente nesse contexto que se torna totalmente incompreensível o espaço degradante reservado aos adeptos da equipa visitante. Uma “jaula” minúscula, sem o mínimo de condições, de onde é até impossível vislumbrar algumas zonas do campo. Do outro lado, uma bela bancada, escassamente ocupada por adeptos do Mafra, com uma imensidade de lugares vagos que bem poderiam albergar os apoiantes dos visitantes, com muito maior comodidade e dignidade.

Quanto ao jogo, há que retirar, de positivo, desde logo, o precioso ponto alcançado, considerando, sobretudo, a forma como se desenrolou a partida. A perder por 0-2  no início do 2° tempo, perpassou pelos academistas o receio de um descalabro e do avolumar, para números escabrosos, de uma derrota nessa altura tida por inevitável.
Puro engano! A equipa soube reagir e, com as substituições operadas, foi possível ver uma Académica mais determinada, mais ambiciosa, mais movida pela preocupação de marcar golos do que de não os sofrer.

E essa mudança de mentalidade acabou por ter resultados. Um golo marcado pelo João Carlos (que bem o mereceu pelo que corre, trabalha, se sacrifica) trouxe um ânimo acrescido e a Briosa passou a controlar o jogo. E nem a expulsão do Traquina (para satisfazer o pedido desonesto do treinador mafrense) fez arrefecer o entusiasmo, o empenho, a crença dos nossos jogadores e o almejado empate acabou, muito justamente, por aparecer.

Em inferioridade numérica e com o natural assalto final do Mafra, os últimos minutos foram de algum sobressalto, mas a equipa soube resguardar-se e segurar o resultado.

Um empate positivo, conseguido fora, recuperando de dois golos de desvantagem, frente a um adversário valoroso posicionado nos lugares cimeiros da tabela, que vem confirmar as evidentes melhorias verificadas no desempenho da equipa.

Nem tudo está perfeito, a pressão negativa do último lugar na classificação faz-se sentir, há debilidades bem visíveis, há ajustes imperiosos a fazer no plantel quando se abrir novo período de transferências, mas a esperança está agora bem mais viva e presente e todos começamos a ter razões para acreditar que a manutenção na Liga 2 acabará por ser uma realidade.

Tem a palavra a equipa, desde logo no transcendente jogo da próxima jornada, em Coimbra, frente ao Trofense.

Jorge Pedroso de Almeida