Inglório: Leixões vence Académica com reviravolta no marcador

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Não! Não, assim a Académica não vai lá. À subida, entenda-se, que à descida é um “vê se te avias”.

Pondo de parte o coração, sei – todos sabemos – que, como sói dizer-se, a procissão ainda vai no adro; mas também não é menos certo que, ao fim de três jornadas, a Académica só conquistou um ponto dos nove possíveis.

Ando a dizê-lo, e a escrevê-lo, há umas épocas que se a Briosa quiser, repito, quiser, subir, não pode perder nenhum ponto em casa nem nenhum jogo fora.

Ora, mais uma vez, a Académica está, numa linguagem eufemística, a perder pontos infantilmente. Aconteceu contra o Rio Ave, contra o Varzim, e hoje contra o Leixões.

É certo que contra o Rio Ave as coisas começaram mal logo no início do jogo, e, depois, foi tentar que a “abada” se quedasse apenas pelo grande (5-1), evitando-se o muito grande.

Contra o Varzim, um golo irregular do adversário, escamoteou os três possíveis pontos, pelo que foram mais dois à viola.

Hoje, contra o Leixões, as coisas começaram feias: os avançados começaram a penetrar na defesa da Académica como a faca na manteiga num dia de verão. Valeu à Briosa Mika, um guarda-redes de classe elevada com três defesas de se lhe tirar o chapéu. Depois, a equipa forasteira, a Briosa, acertou posições, assentou o jogo, e, durante o resto da primeira parte foi dona do jogo, podendo ter marcado mais que o bonito golo de Traquina.

Na segunda parte, tudo voltou ao início: os jogadores do Leixões pareciam ter “fogo” no rabo – ou no estômago – e toca de encostar a Académica, que se deixou manobrar a bel-prazer do adversário, que empatou o jogo com um golo “falso” logo nos inícios do recomeço do jogo.

E de aí para diante, parecia que a equipa da casa tinha o dobro dos jogadores da equipa forasteira, tal o “galope” que os atletas impuseram no jogo.

E como no melhor pano cai a nódoa, o Leixões marcou o segundo golo com alguma culpa para Mika, que não foi lépido nem a roubar a bola ao adversário nem a enxotá-la para longe.

E o jogo morreu aí com o Leixões a dominar o jogo com grande à-vontade, e a Académica a tentar fazer pela vida, atabalhoadamente, a nem saber beneficiar dos lançamentos de bola a partir da linha lateral.

Perdeu bem a Académica? Não; perdeu muito mal, pois o único golo “limpo” foi o da Académica.

Ainda nada está perdido. Mas é difícil recuperar os pontos que voaram.

 

Sem coração:

A equipa de Coimbra adiantou-se no marcador, por Traquina, aos 21 minutos, mas o Leixões empatou aos 48, por Wendel, e chegou ao 2-1 por Kiki, aos 67, somando agora sete pontos, mais seis do que a Académica, que vai com duas derrotas e ainda não venceu.

 

Os leixonenses dominaram os primeiros 20 minutos com um futebol dinâmico e saídas rápidas para o ataque, quase sempre pelo corredor esquerdo e através do lateral Seck.

 

Os anfitriões lançaram os primeiros avisos de perigo muito cedo, por Wendel e João Amorim, mas a primeira ocasião clara de golo do Leixões surgiu aos 11 minutos. Seck escapou a um adversário, cruzou atrasado, Sapara atirou de primeira e só não marcou porque Mika efetuou uma defesa excecional.

 

Seck voltou a causar problemas à defesa da Académica aos 13 minutos e João Amorim aproveitou e rematou, mas Mika estava no lugar certo e segurou o nulo.

 

A Académica parecia aturdida com o futebol veloz e objetivo do Leixões, até que Fatai deu um safanão na tendência que o jogo estava a ter, ‘rasgando’ a defesa leixonenses com uma diagonal e servindo Traquina, que fintou um oponente e fez o 0-1.

 

Os visitantes marcaram no seu primeiro remate à baliza contrária e daí até ao intervalo tomaram conta do jogo e criaram perigo por Fatai (38), que deixou João Amorim para trás, e o segundo num remate forte de Toro que o guardião leixonense desviou para a barra e para canto.

 

O Leixões voltou para a segunda parte sem Thalis e Gustavo França, que tinha recebido assistência médica após chocar de cabeça com Nduwarugira, com Wallyson e Jefferson Encada e outra vez ao ataque e foi rapidamente recompensado com o empate (48).

 

João Amorim cruzou, Fabinho ajeitou, Wendel aproveitou e, de cabeça, fez o 1-1, mas a Académica reagiu, tendo João Carlos forçado Bernaudeau a uma grande defesa aos 65 minutos.

 

O futebol rápido e acutilante do Leixões revelou-se sempre uma dor de cabeça para a equipa de Coimbra e foi dessa forma que Kiki completou a reviravolta no marcador, concluindo uma jogada trabalhada por Wendel e Jefferson Encada.

 

A Académica bateu-se até ao fim, mas já foi tarde porque o Leixões resistiu e, apesar da evidente fadiga de alguns jogadores, soube segurar aos três pontos.

 

Jogo no Estádio do Mar, em Matosinhos.

 

Leixões – Académica, 2-1 (ao intervalo: 0-1)

 

Marcadores: 0-1, Traquina, 21 minutos; 1-1, Wendel, 48m; e 2-1, Kiki, 67m.)

 

Equipas:

Leixões: Beunardeau, João Amorim, Leo Bolgado, Gustavo França (Wallyson, 46), Seck, Nduwarugira, Morim (Bem Hassan, 75), Fabinho (Ricardo Teixeira, 85), Sapara (Kiki, 63), Wendel e Thalis (Jefferson Encada, 46).

Académica: Mika, João Pedro, Michael Douglas, Zé Castro, João Lucas (Fábio Vianna, 73), Ricardo Dias (Reko, 73), Mimito, Toro (Costinha, 86), Fatai (Hugo Seco, 73), Traquina (Dani, 81) e João Carlos.

 

Árbitro: Fábio Melo (AF Porto): caseirão. O 1.º golo do Leixões foi obtido fora de joga; faltas marcadas sempre a favor do Leixões, mesmo quando deveriam ser ao contrário.

 

Assistência: Cerca de 600 espetadores.

 

A-CA-DÉ-MI-CA

ACA-DÉ-MICA

ACADÉMICA

 

BRIIIOOSAAAAAAAAAAA

 

 

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 Foto: ROGÉRIO FERREIRA/KAPTA - Zerozero