Editorial 13/02/2026
O PONNEY ESTÁ DE LUTO
Esta semana, Coimbra ficou mais pobre com o falecimento do anterior Diretor de O Ponney. O Dr. José Querido foi o diretor que esteve na transição entre o jornal em papel para o formato digital de O Ponney. A bem da exatidão o senhor Dr. José Querido teve o enorme apoio da senhora Dª Isabel Vilão sobretudo nesta fase digital.
O anterior Diretor de O Ponney, José Querido, foi uma figura grande da Cultura de Coimbra, não só pelos livros publicados com mensagens humanistas, como, também, foi um guardião da memória conimbricense. Enquanto parte dos conimbricenses deixavam esquecer a cultura, José Querido foi um resistente entrincheirado na defesa de Coimbra.
Por volta de 2018, José Querido contacta-me para que eu recebesse o testemunho do O Ponney. Fui escolhido, por José Querido, pela minha página do Movimento de Humor (MH). Fazia ( e faço) estragos a quem vestia a farda da tirania e isso agradava José Querido, mas eu recusei durante quatro anos com o argumento que o MH me levava imenso tempo. Mais tarde, e graças às voltas do destino, acabei por aceitar na condição de me juntar a dois jornalistas. A verdade é que os jornalistas debandaram, mas como tinha dado a minha palavra ao senhor Dr. José Querido, tinha que a cumprir.
José Querido era um Homem que honrava a palavra e exigia a mesma honestidade e integridade com que sempre conduziu a sua vida, contra tudo e contra todos que não o faziam. Por isso, e por minha própria formação, fui no ano 2023 fazer a passagem oficial de direção de O Ponney.
Mas os meses seguintes não foram nada fáceis. As passagens são sempre dolorosas, pois são parecidas com as “dores de parto”.
A minha visão, apesar de termos a mesma base humanista e de honra, eu tive berço no chamado “japão”, na margem Sul do Mondego, e José Querido na margem Norte. Como costumo dizer “Coimbra é similar a um cérebro”. Enquanto no hemisfério Norte, onde está localizada a Universidade de Coimbra, é mais relevante a lógica pela Academia e a Académica. Já em Santa Clara, o hemisfério esquerdo deste cérebro é mais emotivo. Não fosse a História assegurar a existência da Dona Mór Dias, criadora do primeiro convento de Santa Clara em madeira no hemisfério emotivo para acolher as mulheres sem recursos e alvos fáceis para serem mal tratadas. E a seguir a Rainha Santa Isabel, a princesinha de Aragão, passou o mosteiro construido em modesta madeira para o edifício de pedra. O, hoje alagado, Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. Foi aqui que a Rainha Santa Isabel escolheu reposar a eternidade. Outro grande testemunho desta emotividade foi o drama de Pedro e Inês. D. Inês foi prova importante para contribuir para esta emotividade que está para além da razão.
Coimbra tem a mesma base cultural, mas também tem entendimentos diferentes. Tal como o cérebro, se cada hemisfério tem uma função base, a articulação entre os dois hemisférios fazem a grandiosidade deste misterioso órgão. Não tive oportunidade de falar com José Querido sobre esta simbologia, mas senti que o anterior Diretor de O Ponney defendia com unhas e dentes a Academia e a Académica no seu hemisfério da margem direita.
Porém o acaso, ou o espírito de Coimbra (como cada um quiser), levou O Ponney para o outro lado de Coimbra, fazendo a ponte entre Santo António, também ele estudante em Coimbra, com a Rainha e Princesa de Aragão que só assim se revelam os segredos de Coimbra.
José Querido é, sem qualquer duvida, um farol bem erguido em Coimbra. Um exemplo de humanismo, de amor e de absoluta inteligência e cultura. O Ponney reverencia e homenageia o nosso inesquecível José Querido e apresentamos as nossas sentidas condolências à família de José Querido.
Até logo José Querido.
Depois destas tempestades que estão a varrer Portugal, em especial a zona centro, resta-me desejar que tenham um excelente fim-de-semana, com o coração cheio de amor de maneira a ter pouco espaço para o interesse mesquinho.
José Augusto Gomes
Diretor do jornal O Ponney

