Editorial 14/11/2025
POR ONDE ANDA A MEMÓRIA?
Muito se fala em “memória”, sobretudo por todos aqueles novos funcionários das necessidades da moda desta época de “fast-qualquer-coisa” a toque do relógio do “time-is money”.
Deitam no sofá os que não entendem a necessidade da normalização (tal como a normalização do hambúrguer) para adormecerem a cultura local e do país. A coisa do internacionalismo em limpa língua que não contempla contradição. Nada de ser diferente e para isso implantam-se “memórias” em textos curtos, para não cansarem os entes do preto ou do branco, sem grande espaço para a fantasia, imaginação ou invenção cai-se na morte da criatividade.
A criatividade passou, nestes novos tempos, a ser propriedade quase exclusiva da “inteligência” artificial, que não passa de um arquivo com uma auto-procura, “libertando” o humano dessa “doença horrível” (considerada assim pelos partidários do “time-is-money”) que é a criatividade. Essa ferramenta que destrói a febre do fazer para ganhar.
Já estamos a ouvir as músicas; a ver a imagens e filmes; e a ler os textos a serem feitos pelo AI (Arquivo Informático) em substituição da criatividade humana. Remetendo o humano para os trabalhos sem especialização. Por isso é que se aceitam migrantes para apanhar fruta, trabalhar como operários, entregar comida e fazer limpezas. Num principio inverso do bom senso.
Só a nossa memória, individual e coletiva, nos pode ajudar a perceber que o ser humano é Sapiens Sapiens, isto é sabe que sabe. E a criatividade só nasce quando se tem memória e diferença de pensamento.
A memória da História, quer individual quer coletiva, parece, cada vez mais, tornar-se um incómodo. Tudo o que ativa a memória parece tornar-se perigoso. Talvez por isso se oculta a verdade e os monumentos das suas funções primeiras em favor de uma “nova memória” feita de “time-is-money”, onde não há espaço e tempo para a reflexão.
O Ponney, um dos poucos jornais resistentes contra a “nova mentalidade” e denunciador da AI (Arquivo Informático), oferece como artigo «CONVENTO DE SANTA-CLARA-A-NOVA É SOFT TIME UNIPESSOAL» numa clara intenção de fazer calar da sua exemplar função um dos principais monumentos de Coimbra.
Mas ainda continuamos a acreditar que a Resistência vai ganhar ao Invasor!
Depois trazemos o artigo «COIMBRA AFINAL NÃO SE SENTOU NO SOFÁ DO PSICÓLOGO» num rasgo de esperança.
Nestas novas modas de controle apresentamos o artigo «AUTOCARROS EM COIMBRA PODEM SER IMOBILIZADOS PELA CHINA».
A propósito da reflexão e das novas modas dos discursos políticos populistas apresentamos o resultado da vitória de um desses casos que falava o que a maioria queria ouvir e acabou a implantar uma ditadura. Neste caso foi na Tunísia, mas poderia bem ser em Portugal - se cada um de nós não estiver atento aos extremismos. «ARGUMENTO DE “LUTA CONTRA CORRUPÇÃO” JUSTIFICA DITADURA?»
Fechamos os artigos de destaque com a probabilidade de um certo medo da Cultura que fala português com o caso «TURMA DA MÓNICA PODE SER PERIGOSA PARA A ANGLOFONIA?» Para ler e refletirmos em conjunto.
Voltamos a mais uma tira de banda desenhada da DANI, a defensora da alimentação mediterrânica, dentro de um projeto europeu de saúde.
Iniciamos os artigos de opinião com a nossa sempre certeira e humorística Maria Júlia com o artigo «VAMOS TER QUE TRABALHAR 48 HORAS POR DIA!».
Igualmente a sério, temos o artigo da amiga de Maria Júlia, Mara Braga, que nos traz «O PINHAL DE LEIRIA NÃO É A AMAZÓNIA...MAS...» um bom ponto para refletirmos.
Terminamos com o artigo da nossa sempre presente Manuela Jones com o título «NOVAS TENDÊNCIAS: REGRESSÃO OU PROGRESSO DA HUMANIDADE?».
Muitos outros artigos apresentamos e por isso desejamos que tenham um excelente fim-de-semana devidamente “iluminado” para estarmos mais esclarecidos.
José Augusto Gomes
Diretor do jornal O Ponney

