A verdadeira história dos REIS MAGOS

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Historiar sobre algo ou alguém não é fácil, principalmente quando o assunto nos remete a algo tão significativo, que é retratado nas interpretações da Bíblia, sobre o maior acontecimento cristão, ou seja, o Nascimento do Menino Jesus, ainda mais numa cidade que leva o nome abençoado de Natal e, com muita sapiência, comemora o advento do dia dos Reis Magos.

Pois bem, segundo a Tradição Cristã, esta solenidade é para nós mais significativa, em certo sentido, do que o próprio Natal, embora este seja mais celebrado por todos.

Na época do nascimento do Jesus Cristo, numa localidade judaica, em Belém, de uma mãe judia, de nome Maria, vivíamos o auge da decadência da humanidade – a situação social, política e moral não tinha classificação. O mundo era invadido por sentimento de desprezos, ódios e invejas. A civilização antiga não vislumbrava uma solução para a crise que lhe minava os fundamentos.

Um antigo documento conservado nos arquivos do Vaticano, lança uma certa luz, embora indireta e sujeita a caução, sobre os Reis Magos que foram adorar o Menino Jesus na gruta de Belém. O documento é conhecido como a “Revolução dos Magos”.

Provavelmente seja algum documento “apócrifo”, ou seja, de livros não incluídos pela Igreja Católica na Bíblia. Portanto, não são canónicos, não está nos livros sagrados admitidos pela Igreja Católica e que constituem a Bíblia.

Só recentemente, o documento da “Revelação dos Magos” foi traduzido do siríaco antigo pelo Dr. Brent Landau, professor de Estudos Religiosos da Universidade de Oklahoma dos Estados Unidos, que dedicou dois anos para decifrar o frágil manuscrito.

O episódio da epifania, ou seja, a manifestação divina relativa a festa cristã que desde o século V comemora o aparecimento dos Magos – “Mago não significa bruxo ou feiticeiro, no contexto bíblico significa sacerdote ou sábio” – como circunstância da primeira manifestação de Cristo aos gentios.

Os magos eram potentados ou reis. Segundo o apóstolo Mateus, eles vieram do Oriente, conduzidos por uma linda e brilhante estrela. Segundo São Tomás, a estrela que foi avistada pelos Reis Magos tinha sido criada por Deus para aquela circunstância, não no ceu, mas na atmosfera, com o objetivo de manifestar a realeza celeste do menino que nascera em Belém.

De certa maneira, presume-se que a distância percorrida não deve ter sido grande. Naquele tempo a viagem era feita em camelos com uma comitiva à pé, percorria-se de 30 a 40 km por dia. As estradas eram precárias, com muitos imprevistos como animais ferozes, assaltantes, condições de hospedagens deficientes, ou seja, era uma aventura penosa e arriscada.

Os três Reis Magos foram identificados como: Melquior (tinha 70 anos, cabelos e barba branca, tendo partido de Ur – terra dos Caldeus), Gaspar (era mais moço, tinha 20 anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio) e Baltasar (era Mouro, usava barba cerrada, tinha 40 anos e partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz).

Seus nomes têm significados precisos que nos ajudam a compreender suas personalidades. Melquior quer dizer: “Meu Rei é Luz”; Gaspar significa: “Aquele que vai inspecionar” e Baltasar traduz-se por: “Deus manifesta o Rei”.

Os três representavam as três raças humanas existentes em idades diferentes. Neste sentido, eles representavam os reis e os povos de todo o mundo.

Também seus presentes têm um significado simbólico. Melquior deu ouro ao Menino Jesus, o que, na Antiguidade, queria dizer reconhecimento da nobreza, pois era presente reservado aos reis.

Gaspar ofereceu-lhe incenso ou olíbano em reconhecimento da divindade. Este presente era reservado aos sacerdotes.

Por fim, Baltasar fez um tributo de mirra em reconhecimento da humanidade. Mas como mirra é símbolo de sofrimento, veem-se nela preanunciadas as dores da paixão redentora. A mirra era presente para um profeta. Era usada para embalsamar corpos e representava simbolicamente a imortalidade.

Desta maneira, temos o Menino Jesus reconhecido como Rei, Deus e Profeta pelas figuras que encarnavam toda humanidade.

Segundo o Professor Landau, o “apócrifo” diz que “a estrela no fim transformou-se num pequeno ser luminoso de forma humana, que foi Cristo, na gruta de Belém.”

A festa da adoração dos Reis Magos ao menino Jesus recebeu o nome de “Epifania do Senhor”. Epifania vem do grego e significa:  “Aparição; fenómeno miraculoso.”.

António Olayo