AS CIDADES SÃO POPULARES
As cidades devem ter gente e alma. Gente antiga, a sua alma mater. Traça, história e estórias, aromas, memórias. As cidades são passado que se renova progressivamente ou de rompante, geralmente em momentos de crise, como terramotos, ou outras. Uma cidade que se vende lote a lote, importa estranhos em função da situação financeira, expulsa habitantes antigos, torna-se num condomínio privado. É começar a ouvir, a sentir a cidade a higienizar-se das gentes com alma, gentes dos burburinhos, dos afazeres, das comunidades. Que aborrecimento têm os parvenus e que poder!
As cidades que se estripam, se alienam, se põem à venda, são cidades esqueleto adiado! As modas higienizadoras, os carros elétricos, os corredores, as proibições, os transportes alternativos, são só pretextos para calar vozes que reclamem a propriedade popular das cidades! Pois vivam as bikes, os bons ambientes, mas não roubem a cidade ao povo. Querem um condomínio elitista, comprem-no, construam-no de raiz por aí. A cidade não lhes pertence! A cidade não é um território gerível com propaganda eleitoral. A cidade é muito mais do que isso: histórias de vida, de comunidades; passados permeando presentes e futuros...
© Maria Fernandes
(Imagem retirada da Internet)