FORÇAS DO RUANDA ATACAM POSIÇÃO DA RENAMO?

Ruanda.png

Chegam-me informações, de Moçambique, que, e a serem verdade, para além da gravidade do que representam, não abonam, em nada, ao Presidente F. Nyusi.

A notícia é seca e lacónica: forças armadas do Ruanda, as que se posicionaram no território moçambicano, na Província de Cabo Delgado, na zona de Pemba (antiga Porto Amélia) e Palma, ao abrigo de ajuda militar, para combater a presença de terroristas da jhiade e do daesh, estão a operar no Planalto da Gorongosa.

Tratar-se-á de, segundo as nossas fontes, o Presidente da República, se aproveitar da presença desses militares, para agredir o “Quartel General” da Renamo, o qual tem aí o seu reduto.

Se, e por um lado, é (a acontecer, caso se avalie da veracidade da notícia) um ataque a um partido legalizado e que faz parte da quadricula do mosaico democrático de Moçambique, que estabeleceu a sua sede principal nessa área do País; por outro, a hipotética ou verídica intervenção dessas forças estrangeiras, não passará de uma grave ingerência na soberania do País, enquanto se enquadra numa situação séria de investida, numa situação que nada tem a ver com os Acordos firmados para suster e reprimir o terrorismo no norte.

Se apurada a presença e intervenção de militares ruandeses na sede da Renamo, na Gorongoza, estaremos perante uma grave violação de direitos e legislação internacional, o que poderá colocar Moçambique numa situação, aos olhos do Mundo, pouco digna. É que o caso das "Dívidas Ocultas", cujo processo decorre, para se apurarem responsabilidades, no Tribunal da Machava, já não é credor, para Moçambique, de uma imagem dignificante. A acontecer esta situação, relativa às forças do Ruanda, na Gorongoza, Moçambique conhecerá uma razoável precariedade, em termos de um Estado de Direito e Democrático.

Filipe Nyusi, se se confirmarem essas informações, tenta, a todo o custo, livrar-se de ter o seu nome associado ao processo das “Dívidas Ocultas” de Moçambique. O PR moçambicano pretende provocar uma manobra de diversão e afastar o foco no julgamento que está a realizar-se. Tentará, e volto a afirmar, se essas informações se vierem a confirmar, contar qualquer “estória” sobre as intenções da Renamo para que, e em Moçambique, o povo mais esclarecido e não só, deixe de se focar nesse julgamento.

Nyusi provocaria, assim, um caso político, o que, e por esta altura, lhe daria, bem como ao ex-Presidente da República, Armando E. Guebuza, além de todos os outros que se envolveram no caso das “Dívidas Ocultas”, como Ministros, o Director da Secreta – ex-SNASP, ora SISE – o filho mais velho de Guebuza e outras figuraças do regime da Frelimo, um grande jeito.

A Frelimo, ao longo dos seus anos de carreira, primeiro como movimento terrorista e, depois, como partido do poder, tem demonstrado que, quando é preciso, joga com todas as armas que tem, assim como nunca se poupou a assassinar quem ouse enfrentar os seus poderes ou, e mesmo, colocar em causa figuras cimeiras do seu círculo de mentores que, nas teias obscuras, conspiram a matança dos seus opositores. Foi ontem desse jeito e, infelizmente, continua a ser a “ementa” da organização que prossegue com tiques terroristas…

E que se oculta no Acordo para a presença das Forças Armadas do Ruanda, em Moçambique?

António Barreiros

Foto retirada da net