“COIMBRA ACESSÍVEL” - UM NOVO SISTEMA DE GESTÃO PÚBLICA

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Projeto “Coimbra Acessível” promete revolucionar conceito de acessibilidade ao tornar a obra inacessível à própria construção.

Numa demonstração inédita de eficiência administrativa, naturalmente em sentido inverso, a Câmara Municipal de Coimbra decidiu abandonar o concurso público para a empreitada de melhoria das acessibilidades na envolvente do Estádio Cidade de Coimbra, conseguindo assim aquilo que muitos consideravam impossível. Pois gastar tempo, recursos e energia sem a inconveniência de ter de construir alguma coisa revela muito bem a grande capacidade de desorganização da Câmara de Coimbra. Nem o conhecimento universitário salva tanta desorganização dos dinheiros públicos.

Segundo informações conhecidas, os sucessivos avanços, recuos, voltas, contravoltas e aparentes exercícios administrativos de marcha-atrás acabaram por provocar atrasos considerados incontornáveis. Fontes próximas do processo admitem que, a determinado momento, já ninguém sabia se o procedimento estava a avançar, a recuar ou simplesmente a estacionar em segunda fila.

O impacto financeiro direto para o município traduz-se agora no desperdício dos recursos internos e do tempo investido pelas equipas técnicas na preparação do concurso. Especialistas consideram, no entanto, que o trabalho não foi totalmente perdido, uma vez que terá servido como formação prática intensiva em preenchimento de documentos e gestão de calendários imaginários.

Inicialmente anunciado com pompa, circunstância e entusiasmo institucional sob o nome “Coimbra Acessível – Envolvente ao Estádio Cidade de Coimbra”, o projeto visava requalificar zonas pedonais e o espaço urbano em redor da infraestrutura desportiva. Na altura, a intervenção era apresentada como uma prioridade importante para a cidade. Entretanto, tudo indica que a importância do projeto sofreu um processo natural de envelhecimento acelerado e deixou discretamente de ser importante.

Com um orçamento previsto de quase um milhão de euros e um valor base estimado em cerca de 864 mil euros, a obra deixa agora de avançar. O montante permanecerá nos cofres municipais, embora deixando pelo caminho o respetivo cofinanciamento comunitário e verbas previstas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A estratégia parece simples, ora se não houver obra, também não haverá preocupações com a execução. Lindo argumento!

A população continua, contudo, com algumas dúvidas. Entre elas, permanece uma questão considerada essencial para o futuro da mobilidade urbana: será que a obra também serviria para corrigir os três conjuntos de semáforos na rua lateral à ESEC, conhecidos por alguns automobilistas como "o circuito experimental de resistência psicológica de Coimbra"?

No final, fica a sensação de que Coimbra pode estar a desenvolver um novo modelo de gestão pública, que é o de anunciar, preparar, adiar, reconsiderar, reformular e desistir. Uma metodologia que, segundo observadores europeus atentos, poderá em breve candidatar-se a financiamento europeu, mas é só no caso de alguém conseguir entregar a candidatura a tempo. Obviamente!

AF
29-05-2026