Monsenhor Nunes Pereira

 

Nunes Pereira

 

Nasceu na Mata, pequena localidade à beira do rio Ceira, a 3 de Dezembro de 1906.

A sua infância é passada entre esta aldeia e Fajão, distantes cerca de três quilómetros,

onde frequenta a escola primária.

Entre 1919-1929 estudou no Seminário Maior de Coimbra e depois de ordenado foi mandado para a paróquia de Montemor-o-velho, onde esteve de 1929 a 1935. Foi nesta vila que o jovem padre para além da sua ação pastoral, fez renascer o seu talento artístico herdado de seu pai , escultor santeiro.

Entre outras, publica na imprensa artigos e desenhos sobre a freguesia e consegue apoio para o restauro da Capela-mor do Convento de Nossa Senhora dos Anjos, naquela vila, sobre a qual escreve e ilustra uma memória descritiva.

Em Coja (1935-1952), revelou-se a riqueza da personalidade de Nunes Pereira, estendendo-se a sua acção aos mais diversos domínios. O Padre Nunes Pereira é nomeado pároco de S. Bartolomeu a 13 de Janeiro de 1952 e aí se manterá até se aposentar em 1980. Passa a residir na Casa Paroquial , anexa à igreja, onde tinha o seu atelier, conciliando o exercício de sacerdote com um crescente interesse pelo cultivo das artes, desde a poesia à escultura, passando pelo desenho, pela aguarela, pelo vitral e sobretudo pela xilogravura, especialidade em que se viria a tornar possivelmente no melhor artista português da segunda metade do Séc. XX.

A permanência nesta cidade permitiu-lhe um envolvimento mais direto com o meio artístico, tendo sido um dos fundadores do Movimento Artístico de Coimbra. Ainda residente em S. Bartolomeu (1980), passa a dispor de uma casa na Portela (Coimbra), situada numa encosta privilegiada, face ao Mondego, local que lhe permite usufruir da maior tranquilidade onde tinha o seu atelier ao qual chamava oficina.

Em 1981, foi nomeado membro da Comissão de Arte Sacra e Conservador do Património Artístico da Diocese de Coimbra.

Como Vigário Geral da Diocese durante a década de 70, dedicou-se ao estudo de monumentos em locais de culto e participou no inventário cultural de arte sacra.

Foi também nestes anos que desenvolveu de forma sistemática o trabalho de jornalista

no “Correio de Coimbra”, em cuja redação permaneceu durante vinte e dois anos, tendo

produzido inúmeras gravuras destinadas à ilustração dos seus artigos.

Colaborou no estudo de monumentos, na valorização do património arqueológico da Igreja de São Bartolomeu e investigou sobre os túmulos e o púlpito de Santa Cruz. É ainda fundador da Sociedade Cooperativa de Gravadores de Portugal e sócio da Sociedade Nacional de Belas Artes.

A partir de 1958, dedicou-se à aguarela, após viagens a Paris, Itália, Alemanha e Holanda.

O desenho era um estatuto social que não dispensava. No café, na paragem do autocarro, e nas festas Nunes Pereira gostava de fazer surpresas. Era agradável olhar as pessoas quando lhe entregava a caricatura ou o retrato que, num ápice o Padre Nunes Pereira elaborava.

Executou trabalhos de xilogravura, desenhos artísticos a buril, água forte, ponta seca e lápis, gravuras em madeira, cobre, lousa, marfim e calhau rolado.

São da sua autoria os seguintes vitrais: Capela da Casa de Saúde de Santa Filomena (Coimbra), Capela de Montalto (Arganil), Igreja de Santa Maria (Celorico da Beira), Igreja de Manteigas, Igreja de Ponte Sótão (Góis), Igreja de Ponte da Barca, Igreja de Cardigos, Igreja de Guarda-Gare, Igreja de Paleão (Soure), Igreja de Carnide (Pombal), Igreja de S. José (Coimbra).

É autor dos painéis de madeira da Igreja da Tocha, Bustos, Coja, Seminário Maior de Coimbra, da Via-Sacra de Colmeias (Leiria), da via sacra da Igreja de Nossa Senhora de Lurdes (Coimbra), da via sacra da igreja do Colégio de São Teotónio (Coimbra), da via sacra da igreja de Ansião.

Tem trabalhos em ferro forjado na Igreja do Cardal (Pombal), Igreja de Ponte Sótão (Góis) e Igreja de Arganil.

Gravuras em lousa no Museu de Fajão( que lhe é dedicado), Museu do Seminário Maior e Capela das Minas da Panasqueira

Há nota de mais de uma centena de exposições individuais e coletivas e em 1986, a Câmara Municipal de Coimbra atribuiu-lhe a medalha de Ouro da Cidade.

Mons. Augusto Nunes Pereira, faleceu a 1 de Junho de 2001.

Carlos Ferrão

 

Nota da redacção: - (Monsenhor Nunes Pereira no Museu de Fajão. Do lado esquerdo podemos ver uma imagem feita por seu pai e o retrato de sua mãe desenhado por si.