EUROPA TEME AEROPORTOS PORTUGUESES, MAS COIMBRA CONTINUA EXEMPLAR

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A anedota do aeroporto em Coimbra, que serviu uma campanha eleitoral, verificamos, agora, que o lado bom é que não há filas de três horas no controlo de passaportes em Coimbra. Enquanto Coimbra continua a perder terreno, Portugal volta a ser notícia na Europa, desta vez não pelas praias, mas pela paciência dos passageiros.

A Comissão Europeia fez uma visita surpresa ao aeroporto de Lisboa e encontrou “deficiências graves” no controlo de fronteiras, levantando dúvidas sobre a capacidade do país em garantir a segurança do espaço Schengen.
Na prática, isto significa que entrar na Europa por Lisboa pode ser uma experiência tão prolongada que o turista chega primeiro ao estado zen do que ao hotel.

O problema não surgiu do nada. A implementação do novo sistema europeu de controlo de fronteiras (EES) transformou aeroportos em autênticos testes de resistência física, com filas de horas e passageiros a perder voos.
Portugal, sempre inovador, decidiu contribuir com um “upgrade”, pois além da biometria, acrescentou o clássico “aguarde mais um bocadinho”.

Entretanto, Bruxelas observa com aquela expressão típica de quem emprestou a casa e agora vê os convidados a deixar a porta aberta. Não admira que surjam alertas de risco para outros Estados-membros, afinal, no espaço Schengen, uma falha num aeroporto é um convite para todos.

E é aqui que entra Coimbra. Enquanto Lisboa luta para provar que consegue gerir um aeroporto sem parecer um episódio de sobrevivência extrema, Coimbra continua fiel à sua tradição de não ter aeroporto nenhum. O prometido aeroporto nunca chegou e, ironicamente, isso pode ser a maior contribuição da Lusa Atenas para a segurança europeia.

Sem voos, sem filas.
Sem filas, sem falhas.
Sem falhas e, claro, sem relatórios da Comissão.

Num cenário europeu onde a tecnologia falha, os sistemas colapsam e os passageiros desesperam, Coimbra apresenta uma solução radical e minimalista, que é o de não ter problema porque nunca teve infraestrutura para o criar.

Talvez esteja na altura de Bruxelas reconsiderar os critérios de segurança aeroportuária. Porque, no meio do caos, Coimbra surge como um caso de estudo involuntário, pois é o único aeroporto 100% seguro é o que, naturalmente, nunca foi construído.

FG
24-04-2026