Editorial 08/05/2026
DEMOCRACIA OU “DITADURA COM DATA DE VALIDADE”?
Depois da comemoração do 25 de Abril e das comemorações do 1º de Maio é altura de pensarmos na resposta à pergunta que dá título ao editorial desta semana.
Continuando no nosso registo de honestidade, a verdade, como a entendemos no nosso O Ponney, é que se começa a tratar a Democracia como uma espécie de ditadura em “part-time”.
Ouvimos as campanhas de propaganda política como os anúncios publicitários. Massacram-nos os ouvidos e não dizem nada de jeito. Uma espécie de «-olá eu sou o Pedro. Quer saber quanto vale o seu voto? Vá às urnas e vote em mim, para ver como sou excelente.»
Talvez por uma questão de estarmos mais massacrados, do que convencidos, lá votamos para ver se é mesmo assim. Pois não só não é assim, como ainda levamos com pacotes de patins laborais, leis da nacionalidade com tiros nos pés e, a sempre presente, falta de consideração pelas pessoas em nome de um “bem maior” que tanto se pode chamar “estabilidade” como”produção”, mas que ninguém qual a serventia. Uma espécie de extra-promessas realistas contra o maravilhoso mundo das promessas de campanha no papel.
Depois da eleição voltamos a uma ditadura “part-time”, onde a polícia política é substituída pelo desespero de sobreviver. Como a grande maioria tem que pagar casa, comida, água, eletricidade e, se quiser aceder aos portais do Estado, tem que pagar internet. Para além do que leva o Estado nos impostos e na Segurança Social. Essa SS que obriga a que todos paguem, mas não garante reforma a não ser que seja ao caminhamos para os oitena anos e talvez tenham a ideia de pedir a assinatura do avô do candidato à reforma. Só nos resta o humor em resposta à falta de amor dos nossos governantes.
Também nos resta a voz, pois a verdadeira Democracia não é um evento olímpico que acontece de quatro em quatro anos. Tem que ser mais como um condomínio, mas com orçamentos maiores e menos discussões sobre quem deixou o saco do lixo no corredor (embora, às vezes, seja mesmo reduzida a isso).
Participar na vida política é chato?
- É! Exige ler atas, ir (ou ouvir) as assembleias municipais e, horror dos horrores, ler muito, mas em diferentes jornais e abusar da leitura de livros. Falar com pessoas de quem não gostamos ou que pensam de forma oposta à nossa. Sem dúvida que é “chato como o caraças” - permitam-me o linguajar de rua - mas é exatamente aí que está a Democracia.
Participar no governo da comunidade (região ou país) é a diferença entre ser o dono da casa ou ser um inquilino que não se pode queixar da infiltração no teto porque "não é nada comigo". Quando o cidadão se demite da sua função de vigilante e colaborador, o político deixa de ser um representante para passar a ser quase um monarca absolutista com contrato a termo certo.
Porém, o mais importante é quando cada um de nós se preocupa com os problemas da comunidade sem que seja vítima direta dessas questões. Por exemplo: é importante preocuparmos com as más condições dos profissionais de Saúde, sobretudo quando não se é profissional da Saúde - é aqui que está o valor de cidadania. Não é apenas quando somos internados e deparamos com escândalos onde o paciente é desconsiderado pelas estruturas de gestão hospitalar.
Por isso, todos nós não temos direito a participar na Democracia!
Sim, leu bem. Cada um de nós não tem direito de participar na Democracia. Pois não é ‘Direito’ é ‘Dever’. Todos nós temos o Dever de participar a Democracia, sobretudo quando ainda não somos vítimas da ditadura. Mesmo que seja ditadura em “part-time”.
Nesta direção abrimos com o artigo onde denunciamos o escândalo na Saúde com o título «DEEM DIGNIDADE AO CIMENTO». Pois o cimento é tratado com mais dignidade do que os utentes dos Hospitais ou IPO em Coimbra. Preferíamos que fosse uma anedota de mau gosto, mas o absurdo da realidade ultrapassa a fantasia mais surrealista.
Por outro lado a ditadura “part-time” colabora com o “Big Brother” onde Orwell (autor do livro “1984” que previa uma ditadura imposta pelo grande irmão) ficaria de boca-aberta com um sistema ditatorial absoluto e psicológico sem que o Estado investisse em tantas câmaras de vigilância para controlar os cidadãos. Para pensarmos.
Por falar em futilidades, que nos roubam tempo e nos hipnotizam para não vermos o erro dos ditadores em “part-time”, o artigo « COIMfluencer» dá-nos a conhecer os ditos “influencers” de Coimbra. Uma festa. Qualquer dia temos uma dessas “influencers” de Coimbra a ser eleita para a Câmara. Já estivemos mais longe.
Ao contrário o que aproxima mais das políticas ambientais em Coimbra (temos essa exclusividade) são as «ÁRVORES CORTADAS - NOVA TEORIA BOTÂNICA» patrocinado pela Universidade de Coimbra. O corte de árvores tornou-se a principal medida pseudo-sustentável mais usada. Não há outras soluções para além da moto-serra.
E fechamos com «NOVA LEI DA NACIONALIDADE E UC» onde explicamos a ligação entre a nova lei da nacionalidade e as possíveis consequências na Universidade de Coimbra. Um assunto que não é falado. Por isso mesmo, também, deve ser refletido.
Para animar temos a Dani e os seus preciosos conselhos.
Os artigos de opinião de Maria Júlia, Otávio Ferreira e Manuel Jones fecham O Ponney e abrem a discussão interessante que nos trazem estes nossos amigos.
Bom fim de semana e boas leituras;
José Augusto Gomes
Diretor do jornal digital O Ponney

