CLOSE ENCOUNTERS VS DISCLOSURE DAY
Entre a Ficção, a Sátira e o Palpável - Primeiro Ato
Sinto-me pequeno demais ao querer falar sobre Steven Spielberg, o homem que escreveu e realizou a obra-prima cinematográfica "Close Encounters of the Third Kind" (Encontros Imediatos do Terceiro Grau), onde irei tentar satirizar, no bom sentido do termo, sobre a sua versão integral do ido ano de 1977 (137 minutos).
O "CE3K" (também conhecido por esta designação, não em Portugal) é para mim o melhor filme de sempre em termos de Ficção Científica. Estabelecido em três barreiras técnicas quase intocáveis: a Familiar, a Social e a Científica.
Na vertente familiar vamos encontrar os atores Richard Dreyfuss (com a sua melhor representação/dedicação em filmes), e a atriz Teri Garr (como sua esposa). Roy Neary, um eletricista como tantos outros, vivendo com a sua família no estado americano 'Indiana', cuja vida pessoal muda radicalmente quando se depara com um Objeto Voador Não Identificado.
Note-se que, o título deste filme é retirado da 'classificação de contactos imediatos com alienígenas', criada pelo ufologista J. Allen Hynek, em que o 'terceiro grau' já era definido pela observação/exposição humana a verdadeiros alienígenas/seres animados.
Visualizar 'coisas' sem presença física, como a "pareidolia", destaca-se neste filme, conjugadamente, com algumas alucinações causadas por distúrbio neurológico, com comportamentos anómalos à mesa de refeições até à privação de sono... sendo assim, o espetador é projetado para a tela e torna-se um mero acompanhante de uma mente que projeta imagens, que aparentemente não existem na realidade, até se anularem numa reportagem televisiva que expõe abruptamente o local da loucura 'tresloucada' da personagem Roy. Simplesmente genial, qual é a sátira disto tudo?!
Rebuscar ou esgravatar terra, erva, plantas do seu jardim... lançando tudo para dentro de sua casa, com a sua esposa a assistir, já em fase de delírio, não sabendo o que fazer, até ao ponto de rutura com o seu marido (que acabara de perder o seu emprego)... e (re)construir um hipotético 'monte' até ao teto, de uma forma descompreendida, do tipo, nós 'seres humanos': Encontrámos o Nosso Limite Racional!!
Apenas as Nossas Emoções São Livres... Será esta a tendência humana de processar estímulos visuais ambíguos ou aleatórios (OVNI) e interpretá-los como formas definidas, com significado especial, como ver aquele 'monte' nunca vivido pelo sujeito que o (re)constrói à escala doméstica?!!
Estávamos no limiar da desagregação familiar, tão necessária à coexistência social e à sobrevivência do Planeta Terra. Estava reconhecido o padrão-chave de toda a existência humana, ancestral ao próprio cérebro, suficientemente indígena (Indiana)!! A mesmíssima área cerebral, que processa rostos, formas reais é, automaticamente, ativada ao deparar-se com semelhanças faciais em objetos inanimados. Terá sido um 'OVNI' a despoletá-lo?!
Até ao próximo Segundo Ato desta Obra-Prima,
Dr. Adriano J. M. Ferreira - Sócio da Associação de Astronomia "Alpha Centauri"

