O CASAMENTO FALHADO ENTRE A ALTA E A BAIXA

Se achavam que os relatórios de sustentabilidade das empresas do PSI são ficção pura, é porque não tem acompanhado o mais recente trimestre fiscal do folhetim académico da nossa praça. Agarrem-se aos vossos portfólios, que a volatilidade desta intriga é de chorar por mais liquidez!
Tudo parecia um plano de negócios perfeito na Baixa de Coimbra. No dia 16 de julho, juntaram-se os stakeholders para falar de "revitalização" — aquela palavra fofinha que nós, gestores, usamos quando o centro histórico fatura menos do que uma banca de pipocas. Mas, no meio dos sorrisos institucionais e sem qualquer análise de risco, alguém soltou a palavra proibida: INTEGRAÇÃO! As Beiras publicou e o pânico bolsista rebentou na Alta.
Em claro drama macroeconómico e com a mão no peito, o Reitor da UC, Amílcar Falcão, — que aqui assume o papel de "menina ultrajada" que zela pelos seus ativos intangíveis — veio a público gritar a sua inocência regulatória: "Quem mencionou a palavra 'integração' não fui eu! Os títulos dos jornais são completamente surreais!". Em defesa da virgindade do seu monopólio, gritou que não houve fusão nem aquisição nenhuma!
Sentindo-se "muito desconfortável" (o equivalente corporativo a ver as ações caírem 15% numa manhã) por ter sido visto no mesmo plano que o ISMT — que claramente tentava uma OPA hostil à dita “virgindade” —, o líder da colina limpou as lágrimas e deixou um aviso dramático digno de uma CEO que ameaça deslocalizar a fábrica para o Norte: "Num eventual remake, eu desinvisto e abandono o local!". Ou seja, na próxima reunião onde se fale em partilhar sinergias, ele fecha o laptop, bate com a porta e vai chorar para a Via Latina.
Mas como no mercado livre há sempre um investidor anjo que se recusa a aceitar a falência, surge o D. Manuel Castelo Branco. O Presidente do ISMT recusa-se a assinar o write-off antes do fecho do ano fiscal. Com o coração cheio de fé (e o plano de marketing debaixo do braço), veio acalmar os acionistas e sussurrar: "As conversações continuam... chegaremos a bom porto". Alguém que traga uma calculadora financeira para esta serenata, por favor!
Isto é digno de uma telenovela mexicana onde não deveria ter com atores a vestusta Universidade de Coimbra e o ISMT, com o D. Manuel Castelo-Branco à sua frente. Esta...vamos chamar “roupa suja” (dado que estamos na linha da telenovela) deveria ser lavada em casa das duas grandes Escolas Superiores.
Pois não fica bem, nem para a UC nem para o ISMT, este mau passeio pela “telenovela mexicana”.
Tenham juizo meus senhores!
Mariana Cortez
