Francisco Teles da Gamalança o “Oeste Hipster"

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“O Oeste Hipster é a região de Leiria, mas também Portugal”, diz o escritor, natural da Batalha.
O Oeste Hipster, a mais recente obra de Francisco Teles da Gama, convoca o imaginário de um Velho Oeste improvável pela voz de um narrador que cruza geografias reais e inventadas — do Japão à Dinamarca, de Inglaterra à Itália — num périplo onde se encontram cavaleiros famintos, jornalistas sem inspiração, artistas irreverentes e arqueólogos de renome.

“Nestas aventuras, reais ou imaginárias, não existe tempo nem espaço: tudo é possível, basta ter um mapa cronológico à mão”, refere o texto de apresentação da obra. Nas suas páginas, fundem-se o realismo mágico e o mundano, num tom que oscila entre o mito e a crónica urbana.
“Acompanhei de perto o desenvolvimento da cultura hipster do século XXI, com o surgimento de escritores, bandas e artistas contrariados com a cultura de massas”, explica Francisco Teles da Gama.
Os 38 contos foram escritos ao longo de uma década — muitos deles publicados em periódicos como o Jornal da Batalha e a FITA Magazine — e partilham um elemento comum: a presença do próprio autor enquanto personagem.

“Em quase todas essas histórias havia um denominador comum: a minha presença na narrativa. Eu era uma personagem ativa. Isto faz sentido, porque parte destas aventuras tem um fundo de verdade”, acrescenta.
Segundo o escritor, “o Oeste Hipster é a região de Leiria, mas também Portugal, que se situa no ponto mais ocidental da Europa. Este lugar lendário representa-nos a todos”.

A receção aos contos, adianta, tem sido surpreendente. “Lembro-me de ter escrito histórias completamente ficcionais que alguns leitores acreditaram ser reais”, afirma, citando os contos “Carta de Maputo” e “O Conto das Portas de Veneza”. Neste último, a narrativa sobre a descoberta da espada de D. Dinis viria a coincidir, mais de um ano depois, com um achado arqueológico real no Convento de Odivelas.

Quanto às influências que atravessam a obra, o autor destaca: “No campo da literatura, a mais evidente é Jorge Luis Borges, mas também Nikolai Gogol, Graham Greene, Jerome K. Jerome e Daphne du Maurier”. Na música, sublinha o papel de bandas como The Kooks, Capitão Fausto e Luís Severo, bem como o jazz de Chet Baker, Oscar Peterson e Miles Davis.

O lançamento do livro está marcado para o próximo dia 30 de abril, às 19h00, na livraria Good Company Books, em Lisboa. A obra é publicada em coedição pela FITA Press e pela Book Cover Editora.
A sessão de apresentação promete juntar literatura, música e memórias de uma década de escrita. O evento incluirá uma conversa entre o autor e a historiadora de arte e curadora Francisca Gigante, bem como leituras de contos por Nelson Nunes, Zé Bernardo da Fonseca, Pedro Brum da Silveira e Tomás Agostinho.

O Oeste Hipster marca também a estreia da FITA Press, a nova casa editorial da instituição cultural FITA — Friends In The Arts, dedicada à publicação de obras literárias e académicas no universo das Artes e Humanidades.

Francisco Teles da Gama nasceu na Batalha. É licenciado em História, mestre em História Medieval e doutorando em História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com bolsa da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. É fundador e diretor da FITA — Friends In The Arts e editor da FITA Magazine.

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