COIMBRA EM KIT "FAÇA-VOCÊ-MESMO"

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A grande revolução na gestão pública da nossa cidade acaba de aterrar no Mondego Retail Park, em Taveiro. Com a abertura oficial marcada para o dia 30 de Julho, o momento da pré-inauguração desta semana contou com uma comitiva de peso: o executivo da Câmara Municipal, liderado pela Presidente Ana Abrunhosa, que parece ter encontrado ali não apenas um espaço comercial, mas uma autêntica escola de governação acelerada.

Toda a gente conhece o conceito da multinacional sueca, onde o cliente compra, leva para casa e monta a mobília sozinho, guiando-se por manuais de instruções ilustrados que, com frequência, parecem escritos em grego antigo ou aramaico.

Pelos vistos, a Câmara de Coimbra decidiu adotar exatamente a mesma política de "faça-você-mesmo" para resolver os problemas crónicos do município. Tomemos como exemplo a célebre e polémica saga dos cortes de árvores na cidade.

A abertura desta loja responde a uma antiga aspiração da região Centro, que finalmente encontrou utilidade para tanta madeira desbravada. Se a autarquia corta os troncos à velocidade da luz, agora cada conimbricense pode passar por Taveiro, recolher os painéis aglomerados e montar a sua própria árvore artificial no respetivo bairro.

Resta saber se o manual traz peças a mais ou se vamos todos ficar a olhar para uma figueira torta na Praça da República.

A genialidade do modelo escandinavo adaptado por Ana Abrunhosa promete alastrar-se a todos os setores vitais. Nos transportes públicos, em vez de esperar por um autocarro dos SMTUC que teima em não passar, o munícipe receberá um kit "Monte o seu Mini-Bus" com quatro rodas, um chassis de alumínio e duas chaves Allen.

Na higiene urbana e na segurança, aplica-se a mesma máxima, ora se a rua está suja ou se sente falta de policiamento, pegue no catálogo, encomende a sua vassoura modular ou o seu detetor de movimento "SÄKERHET" e trate você mesmo do assunto. A autarquia fornece as instruções (provavelmente confusas) e o cidadão entra com a mão de obra.

Segundo uma nota oficial da Câmara, este investimento de milhões promete criar postos de trabalho diretos e indiretos e gerar um impacto massivo na economia regional. Mais do que isso, espera-se que a nova unidade beneficie fortemente o tecido empresarial local ligado aos setores do mobiliário, têxtil, cerâmica e logística.

Resta saber se as nossas empresas vão integrar com sucesso a cadeia de fornecimento global da marca ou se vão apenas tentar decifrar os desenhos dos manuais para perceber como se evitam os buracos no orçamento municipal.

O investimento sueco é, sem dúvida, excelente para evitar as longas viagens presenciais às lojas de Lisboa ou do Porto. Mas o verdadeiro bónus será ver o executivo camarário aprender a desenhar manuais de sobrevivência urbana. Se a economia regional já é considerada "espacial" por alguns iluminados, com a introdução do método "Abrunhosa-Self-Service", Coimbra arrisca-se a ser a primeira cidade do mundo onde os impostos são pagos por inteiro, mas os serviços públicos vêm desmontados dentro de caixas de cartão prensado.

FG
10-07-2026