LAVADEIRAS NO MONDEGO

Mal os areais ficavam à vista, o Mondego enchia-se de lavadeiras que, depois de lavarem a sua roupa no rio, espalhavam-na pelos areais a "corar" (maneira engenhosa de aproveitar a luz do Sol para tirar algumas manchas mais difíceis da roupa) e secar.
O Bazófias, que no Inverno ameaçava e assustava a população de Coimbra invadindo muitas ruas da Baixa, apresentava-se, fora da época das cheias, resumido a um pequeno curso de água (daí o termo).
Os areais eram, então, aproveitados pelas lavadeiras para estender a roupa e pelos romeiros, que se deslocavam de 2 em 2 anos à cidade para as Festas da Rainha Santa, para acamparem, no mês de julho.
A própria música popular dava conta desse caudal irregular do Mondego:
"Fui encher a bilha e trago-a,
Vazia como a levei.
Mondego que é da tua água,
Que é das lágrimas qu' eu chorei".
Com a entrada em funcionamento da Barragem da Aguieira e do Açude-Ponte no início da década de 80 do século passado, o termo Bazófias deixou de se justificar, pois as cheias praticamente desapareceram e os areais deixaram de estar visíveis entre o Choupal e a Lapa.
António Franco
