COIMBRA É A CAPITAL DO NÓ CEGO E DO BIFE PROIBIDO

VACA COIMBRA 1

 

A nossa vetusta "Lusa Atenas", cidade que pariu gerações de decisores e que, hoje, parece empenhada em provar que a inteligência é, de facto, um recurso que o Estado decidiu taxar a 100%.

Comecemos pelo planeamento urbanístico, essa ciência oculta onde Coimbra brilha intensamente. Só nesta cidade é que se instalam semáforos à entrada de rotundas. Se não fosse absurdo para quem entra em Coimbra, era sem dúvida um conceito revolucionário. Onde a rotunda serve para o trânsito fluir, o semáforo serve para o travar. É como tentar ganhar as 24 Horas de Le Mans num Fiat 600 ao qual decidimos tirar as rodas de trás "para reduzir o atrito". É, também, o zen-budismo das vias públicas, onde o carro não se move, o condutor medita e as grandes empresas de combustível estão sempre a faturar.

Entretanto, nos intervalos dos sinais vermelhos, assistimos ao massacre das serras elétricas. O executivo da Câmara de Coimbra, quer a anterior, quer a atual, numa rara demonstração de continuidade no erro, decidiu que as árvores grandes dão muito trabalho. A solução?

Abate-se a árvore centenário e planta-se um rebento de plástico (ou quase) no seu lugar. É a lógica do fumador de charutos num descampado que, entre duas baforadas de monóxido de carbono, planta uma margarida para "oxigenar a cidade". Coimbra não respira. Coimbra suspira por um pouco de sombra que não seja a das dívidas ao fisco.

No meio destas anedotas materializadas, percebemos que o humor de Coimbra estende-se ao resto do país através da fiscalidade.

O Governo português é aquele sócio silencioso que todas as empresas têm, não ajuda a carregar caixas, não atende clientes, mas à sexta-feira aparece sempre para levar a maior fatia do bolo. Em 2026, prometeram-nos o "El Dorado" do alívio fiscal para a classe média. Na prática, o alívio foi tão subtil que a única coisa que baixou foi o reembolso do IRS no ano seguinte.

Para quem recebe o salário mínimo, a piada é ainda mais requintada, onde o patrão paga um valor "bruto" que parece digno, mas depois de passar pelo filtro da Segurança Social e do IRS (sim dos descontos que contam e sobretudo os que não contam), o trabalhador leva para casa uma "amostra grátis" do seu próprio esforço.

Discutir impostos na Assembleia da República tornou-se o passatempo nacional preferido, mas ninguém discute para onde vai o dinheiro. É como tentar encher um balde furado enquanto se debate se a água deve ser da torneira ou da marca Luso; no fim, o chão está sempre molhado e o balde continua vazio.

Mas em Portugal, os furos jornalísticos servem apenas para tapar os olhos aos cidadãos. A democracia tornou-se um jogo de cartas onde ninguém joga xadrez. "Não critiques o Partido A, senão o B ganha!", dizem-nos. A piada é que o Roto goza com o Nu, enquanto ambos nos tiram a roupa.

A corrupção é tratada como um jogo de espelhos. A receita é simples: se formos apanhados com a mão no pote, dizemos que a acusação é "perseguição política". Se a coisa apertar, dividimos o processo por dez juízes e esperámos que a burocracia transforme tudo em "águas de bacalhau". No final, o bacalhau é comido pelos mesmos de sempre e o povo fica com a água da cozedura.

Para encerrar com chave d’ouro, temos a cruzada do Reitor Amílcar Falcão contra a carne de vaca. Numa universidade com quase mil anos de pensamento crítico, a solução para salvar o planeta foi, imagine-se: proibir o bife. Sem debate, sem ciência, apenas por decreto. Os estudantes, esses “nativos digitais”, reclamam no Instagram, mas na hora de pensar, preferem que a Inteligência Artificial faça o resumo.

É a ironia suprema, onde tememos que a IA nos substitua, mas estamos a fazer um esforço hercúleo para deixar de usar a Inteligência Humana. Nas cantinas de Coimbra, o pensamento crítico foi substituído por frases decoradas e por uma "doce tirania" onde a liberdade de expressão é garantida, desde que não digas nada que incomode a ideologia do momento de aumentar o número de “não-críticos”. Imagina-se que Salazar também gostaria desta estratégia.

Como dizia Vernon Howard, «a busca da verdade é uma enorme gargalhada.» Infelizmente, em Coimbra, a gargalhada é muitas vezes de desespero. Sobreviver aqui exige uma licenciatura em aritmética, um mestrado em paciência e um doutoramento em sentido de humor — algo que, infelizmente, ainda não dá equivalência no IEFP.

AG
17-04-2026