SMTUC A PÃO E ÁGUA

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Se o leitor achava que a maior comédia de Coimbra era a "Aritmética Municipal" dos 43 milhões da Quinta das Bicas, espere até ver a mais recente obra de engenharia burocrática dos transportes públicos.

Toda a gente bateu palmas quando, no início de 2024, saiu aquela portaria bonitinha a dar passes gratuitos aos estudantes. Um espetáculo!

O problema é que em Portugal, quando o Estado Central aprova uma "gratuitidade", esquece-se geralmente de um pequeno pormenor, o de transferir o dinheiro para quem realmente põe os autocarros a andar.

Como resultado direto desta "generosidade com a carteira dos outros", os nossos heroicos e cronicamente desequilibrados SMTUC ainda não receberam, em pleno Junho de 2026, um único cêntimo de compensação financeira por parte do Estado. Pois é!

Dizem as regras que os pagamentos do IMT deviam ser trimestrais, mas pelos vistos o relógio em Lisboa funciona com o mesmo fuso horário dos prazos da “bazuca do PRR”.

A culpa deste apagão financeiro, dizem os especialistas, é da tal transição para a "intermodalidade" , aquela palavra cara que serve para fingir que os autocarros e o fantasmagórico metroBus funcionam em sintonia. Para gerir este labirinto de bilhetes criaram uma nova e brilhante estrutura, a famosa AGIT (Agência para a Gestão do Sistema Intermodal da Região de Coimbra).

A mecânica do atraso é sublime, onde a AGIT tem de contar os bilhetes, validar as utilizações, repartir as verbas, mandar a papelada para a Comunidade Intermunicipal (CIM-RC) e esta, se não estiver a tirar a sesta, envia os dados para o IMT em Lisboa.

Como a AGIT ainda deve estar a tentar perceber como funciona a sua própria plataforma "pouco intuitiva", a informação ficou perdida numa saca qualquer. E quem é que arca com as consequências?

- A tesouraria dos SMTUC, que já estava mais seca que o algodão. A tal operação de salvamento com os 1,77 Milhões saídos do nosso bolso perdeu-se.

Para evitar que os SMTUC fechassem de vez as portas da Guarda Inglesa e mandassem os motoristas para casa, a Câmara Municipal de Coimbra teve de avançar à pressa na reunião desta semana com um adiantamento de 1,77 milhões de euros!

É dinheiro do erário público local que serve para tapar o buraco do primeiro trimestre, tudo porque a urgência da decisão obrigou a Presidente Ana Abrunhosa a assinar o cheque antes que os autocarros ficassem parados sem gasóleo nas subidas de Celas.

No fundo, continuamos a assistir ao habitual milagre invertido, o Governo Central faz a festa, fica bem na fotografia com a juventude, e o município de Coimbra apanha as canas e paga a conta com as nossas taxas e taxinhas. Haja bom senso e... adiantamentos de tesouraria!

JAG
26-06-2026