Editorial 12/06/2026

EDITORIAL12 06 2026

COIMBRA ÀS POSTAS, MAS COM A BUROCRACIA NO PONTO

Escrever sobre Coimbra em pleno mês de Junho, com um sol a entrar pelas janelas da nossa redação, é o equivalente a tentar fazer um exame de Época Especial depois de três noites seguidas na borga. O que exige óculos de sol, paciência e uma capacidade sobre-humana para rir do próprio absurdo, mas é a função de O Ponney.

Na edição desta semana, O Ponney decidiu fazer o papel de espelho de uma cidade onde o bom senso parece ter ido de férias para fora do nosso Concelho, deixando os comandos entregues à mítica máquina burocrática de assinar despachos em duplicado. À medida que o calor aperta, por aqui, e as esplanadas se enchem, as contradições locais começam a vir à superfície com a mesma força com que as latas de cerveja do desfile invadem o Mondego.

Para percebermos o cerne de toda esta paralisia que afeta a nossa comunidade, o leitor de O Ponney, precisa, antes de mais, de se munir de um bom par de óculos que desmontem o ilusionismo que se passa nos bastidores partidários, de uma forma geral. Apesar de os partidos da oposição ao PS usarem esta arma de arremesso a verdade é que a arma é mesmo um bumerangue. Pois não é sequer exclusivo do PS, do PSD, do quase morto CDS/PP, do Chega, do Bloco de Esquerda ou da CDU. A verdade é que as asneiras que nascem pequenas nos aparelhos partidários, como uma bola de neve, rolam e aumentam na descida para a gestão da nossa região e do país.
«PARA PERCEBER COMO FUNCIONAM OS PARTIDOS» - o artigo para ler mais.

Com o artigo «FOGO NA MATA DE COIMBRA E PAPEL NA GAVETA» abordamos o assunto mais quente da atualidade — e não estamos a falar do termómetro. Fomos tentar perceber por onde andam os Sapadores Florestais do Município neste arranque de 2026. O resultado da nossa investigação é digno de um apontamento cómico dos Monty Python. Descobrimos que, para o executivo, estes homens que defendem as matas eram apenas "cantoneiros" arrumados na secção do Ambiente. Enquanto o sindicato SinFAP se cansa de esperar por fardamentos e avança para tribunal para exigir o cumprimento da lei. Mas fiquem descansados, porque a Câmara Municipal de Coimbra acabou de aprovar a aquisição por ajuste direto de sete novas viaturas por quase um milhão de euros. Temos camiões novos a brilhar na garagem, só não temos é gente com o estatuto profissional correto para os conduzir. Uma lógica infalível.

Assim como também não tem lógica o centralismo de secretaria, que não é um mal puramente conimbricense, alargámos o horizonte até às comemorações nacionais do 10 de Junho deste ano. Com o artigo « O PERIGO DE DAR O MICROFONE AO INTERIOR » recordámos o aviso deixado em 2024 pelo ex-bombeiro Rui Rosinha, que teve a audácia de usar o microfone oficial em Pedrógão para denunciar o abandono estrutural do interior, a falta de médicos e as estradas perigosas. A lição foi de tal forma dolorosa para o poder político que, desde então, as festas do Dia de Portugal andam a fugir do centro do país para sítios mais calmos. Este ano, o Presidente António José Seguro estreou-se nos discursos na Ilha Terceira, nos Açores, a filosofar sobre a "justiça territorial" e o fim da distinção entre portugueses. Belas palavras que, infelizmente, não dão rede de telemóvel às "zonas sombra" das nossas serras. Falta a vontade política ou os milhões?

Como está muito calor, como não podia deixar de ser, a nossa redação foi até à beira-rio, no nosso artigo sobre a «BANDEIRA AZUL EM COIMBRA, ONDE O MONDEGO DIVIDE E A BUROCRACIA COMANDA». O município hasteou com orgulho o galardão em Palheiros e Zorro e no Rebolim. Mas enquanto a primeira praia tem direito a tratamento VIP, com nadadores-salvadores e areia fresca repostas após as tempestades, a praia urbana do Rebolim continua a rebolar na sua própria natureza selvagem. Parece que não há mais tostões na CMC.


Por falar em tostões, fomos também espreitar a tômbola dos contratos interadministrativos que o executivo analisou na reunião desta semana, mas descobrimos que «O MILHÃO DA CMC PERDEU-SE NA PONTE» onde há mais de um milhão de euros para distribuir por obras nas freguesias.

Há ossários novos em Ceira e Antanhol, armazéns de 500 metros quadrados na Pedrulha e até um jackpot de 316 mil euros para a Junta de Santo António dos Olivais criar parques infantis e de lazer. Nós batemos palmas à iniciativa, mas não contivemos a rampa do jornalístico ao perceber que a União de Freguesias de Santa Clara e Castelo Viegas foi completamente varrida do mapa dos subsídios. Pelos vistos, o milhão perdeu-se algures na ponte e ninguém se deu ao trabalho de levar um tostão que fosse para a margem esquerda. Em Coimbra, todas as freguesias são iguais, mas os Olivais continuam a ser visivelmente mais iguais do que os outros.

Entre truques dentro de partidos, para decisores políticos, sobra a má continuada má gestão das florestas sem sapadores, pontes sem milhões, discursos sem território e praias sem nadadores, Coimbra finge que planeia enquanto o cidadão se desenrasca. Se a cidade arder, não se esqueçam de enviar o requerimento em duplicado à caneta azul. Nós, por cá, mantemos a caneta afiada.

Os artigos de opinião abrem com o meu grande amigo, e excelente advogado, João Maria Antunes, com o título: «LOSANGO AO PEITO - É CERTIDÃO DE NOBREZA FUTEBOLÍSTICA». A Briosa está melhor?

A nossa querida amiga Manuela Jones já recuperou da intervenção médica e, ainda em recuperação escreveu-nos um artigo, a testemunhar como «O CANTO DA ESPERANÇA: O DIA EM QUE A MEDICINA DESARMOU O DESTINO». Um artigo repleto de esperança.

O amigo Adriano Ferreira (dr. para que não haja confusão com outro qualquer Adriano) traz-nos «CLOSE ENCOUNTERS VS DISCLOSURE DAY - TERCEIRO ATO: "O ESTILHAÇAR DO SOM"».

Contamos com a sua colaboração para nos publicitar nas redes sociais.

Bom fim de semana.

José Augusto Gomes
Diretor do jornal O Ponney