Editorial 29/05/2026
SABER OUVIR AJUDA A PENSAR
«- Nos tempos que correm, ouvimos pouco e isso não nos ajuda a pensar.» - Esta foi uma frase que ouvi a um amigo num dos raros momentos em que o trabalho nos permitiu dialogar, no que apelido de “conversas do céu”, dado que só são úteis para termos uma visão geral sem preocupações mundanas.
Estas “conversas do céu”, talvez, sejam mais necessárias do que julgamos à primeira vista. Claro que não se aproximam da nova encíclica Papal «Magnifica Humanitas» (A Magnífica Humanidade), assinada pelo Papa Leão XIV a 15 de Maio de 2026, que é o mais recente e marcante documento social da Igreja Católica.
Não! As “conversas do céu” não têm objetivo de normalizar nada, nem de ser ideologia e muito menos serem dogmáticas, apesar do uso da palavra ‘céu’. São apenas trocas de estados de alma. Mas atenção, que a primeira regra é o de não afunilar a conversa para os problemas pessoais, sejam eles mesquinhos ou grades problemas (na realidade é complicado separar).
Guardamos as nossas dores para nós e pensamos no todo, que é a comunidade. Ouvir com auscultadores colocados, não é ouvir no sentido de escuta. Ouvir fechados sobre nós mesmos é como perdermos a oportunidade de tentarmos perceber os outros e isso é uma das formas de nos fecharmos à possibilidade de reflexão.
A realidade é que vivemos tempos de uma complexidade lírica. Se a nível internacional as decisões parecem tomadas por miúdos a jogar à batalha naval com mapas reais, por cá a política tornou-se uma luta de egos. O novo fetiche dos nossos decisores é uma palavra de uso ilusionista: ‘incerteza’. O uso e abuso de ‘incerteza’ por quem, ainda, tem poder raia a piada. Se a economia afunda, a culpa é da incerteza. Se a obra pública derrapa anos e vai para o dobro do previsto, foi a incerteza meteorológica, ou de mercado.
A “incerteza” de quem tem poder é o equivalente político ao "a culpa é do gato" da nossa infância. E a imaturidade, na visão em túnel de quem não se apercebe onde está, é uma doença que contaminou a grande maioria dos decisores: sejam eles governantes, grandes empresários, tecnocratas influentes em questões de IA ou religiosos.
A falta de noção da responsabilidade é um mal que vai do simples condutor que pára para conversar com alguém que encontro no caminho e obriga a uma grande fila de carros atrás de si, até até ao nosso “Ronaldo das finanças”, Mário Centeno, que acaba de garantir uma reforma antecipada modesta — uns meros 10 mil euros mensais, cortesia dos cofres públicos e que vem falar, no canal CNN- Portugal, da resiliência do povo português. Não resistimos ao tom irónico de dizer que o “Ronaldo das finanças”, que recebe 72% do seu último salário com muito menos do que a idade de reforma, demonstra claramente que os portugueses são mesmo resilientes para lhe pagar acima das possibilidades da economia portuguesa.
Enquanto isso, a nossa mui nobre Coimbra assiste a isto tudo num silêncio sepulcral. A cidade anda calada. Tirando o caso de alguns autarcas de Coimbra, naturalmente, que nos brindam com “tirar a confiança” a jornalistas, ou outros que, depois de eleitos por partidos renegados, mandam calar os seus opositores. Não por bem à comunidade, mas por razões mesquinhas de dores pessoais.
Saber ouvir para separar as “dores pessoais” é um grande passo para começarmos a pensar. Pensar em que afinal Coimbra mantém a sua terceira posição nacional na cidade que mais greves tem - a seguir a Lisboa e ao Porto. Para ver mais no nosso artigo «COIMBRA CONSULIDA TERCEIRO LUGAR NACIONAL».
Para lermos e, também, refletirmos trazemos o artigo «“COIMBRA ACESSÍVEL” - UM NOVO SISTEMA DE GESTÃO PÚBLICA» - o que era de importância vital, afinal era como o desejo de termos um brinquedo novo. Rapidamente desistimos.
Com pessoas imaturas com grande poder resultam consequências dramáticas, como dá conta o nosso artigo «MAIS DRAMÁTICO QUE OS MAIAS SÓ A CGD».
Em drama de quem tem que escolher entre comprar medicamentos ou comer, como vivem muitos dos nossos reformados, temos a nossa denúncia sobre o «GOVERNO REFORMA A IDEIA: “NÃO HÁ ALMOÇOS GRÁTIS!”». Numa política para um país mais virtual que real.
Como o virtual é o novo brinquedo, Coimbra usa e abusa deste brinquedo brilhante onde o «“TRANSPORTE VIRTUAL” É A NOVA TECNOLOGIA EM COIMBRA». Onde os utentes são levados a procurar os horários na aplicação informática, as linhas retiradas são chamadas de “redundantes” e onde a realidade de quem não tem internet no telemóvel ou não o sabe usar fica á espera sem entender nada é sobreposta à peregrina ideia de se fazer transporte a pedido.
Depois passamos para os artigos de opinião. Esta semana honraram O Ponney cinco artigos de opinião. Olhamos para esta dedicação como aplausos à nossa nova direção de O Ponney. Os frutos são mais importantes do que o tamanho de uma árvore.
O nosso mui ilustre advogado, fervoroso adepto da Briosa e que faz favor de ser meu amigo pessoal, Dr. João Maria Antunes, continua a cumprir a sua promessa de nos dar opinião sobre a nossa Académica. Desta vez o assunto trata-se da questão polémica sobre «AS RATAZANAS QUE ROERAM A BRIOSA!».
Nesta edição, temos a opinião da Professora de História, a Srª Drª Maria da Luz Ribeiro, que nos traz o assunto sobre «COIMBRA - ONDE A MATURIDADE DOS JOVENS QUASE NÃO TEM IMPORTÂNCIA» - um assunto muito sério, mas tratado com o humor próprio de quem mantém uma grande amizade com João Antunes.
O artigo de opinião do nosso amigo e já conhecido Otávio Ferreira, que não sendo Professor de Cátedra em Engenharia é cidadão atento e interventivo. Que nos traz o assunto para reflexão « Metro Mondego e os Filhos do Distrito Perdido». Um artigo para pensarmos se caminhamos para o desenho de uma área metropolitana para Coimbra ou vamos no sentido oposto.
A nossa amiga, sempre presente, Manuela Jones, traz-nos reflexões emotivas sobre «O Ritmo da Saudade e o Encontro Casual em Santiago». Este artigo é a primeira parte do seu longo testemunho em terras do continente africano.
Terminamos os artigos de opinião com «CLOSE ENCOUNTERS VS DISCLOSURE DAY» escrito por Adriano Ferreira, que se apresenta no seu artigo de opinião como « Dr. Adriano J. M. Ferreira - Sócio da Associação de Astronomia "Alpha Centauri"». Numa visão de crítica cinematográfica revelando, talvez, os segredos por trás das imagens em movimento. No movimento muito rápido, natural nos filmes, há sempre algo que nos escapa e o nosso amigo “Dr. Adriano J. M. Ferreira” vai-nos ajudar a ir percebendo, de forma humorística, o que não percebemos num primeiro olhar.
Mas temos um bom conjunto de informação para nos fazer pensar.
Contamos com a sua colaboração para nos publicitar nas redes sociais.
Desejos de um excelente fim de semana - são os votos da nossa pequena redação.
José Augusto Gomes
Diretor do jornal O Ponney

