Editorial 19/06/2026

EDITORIAL 19 06 26

SOL ABRASADOR, FUTEBÓIS E LUTAS


Por esta altura de sol abrasador, concebido especificamente para nos cozer o couro cabeludo, restamos nós, os resistentes que não fugiram para a praia. Nem o Mundial de Futebol e a sua habitual vaga de patriotismo pré-pago nos salvam o espírito. Enquanto metade do país chora agarrada ao televisor porque a Seleção Nacional foi surpreendida pela República Democrática do Congo, a outra metade (aquela que ainda não apanhou um escaldão cerebral) manifesta-se nas ruas contra as novas tropelias da Lei Laboral.


Nós, na redação de O Ponney, não temos direito a férias nem tempo para chorar golos falhados. Até porque trabalhamos para si gratuitamente e a nossa desilusão é mais profunda que é a gritante falta de comparência dos portugueses na vida política. Será que a bandeira nacional só serve de quatro em quatro anos quando há pontapés na bola?


Nós por cá defendemos o país todos os dias. Por isso mesmo, O Ponney continua atento (e com os dentes afiados).


Abrimos as hostilidades com «UM SEGREDO CHAMADO “QUINTA DAS BICAS”». Um mistério imobiliário que já nos custou 43 milhões de euros e continua a arrastar-se com o mesmo nível de transparência de uma noite de nevoeiro no Mondego. Ninguém sabe, ninguém viu, mas a conta continua a somar e os contribuintes a pagarem.


Perante isto, só nos resta rir para não chorar. Um riso nervoso, entenda-se, bem ao estilo do que o leitor sentirá ao ler «SABE TÃO BEM O FRESQUINHO DAS ÁRVORES CORTADAS EM COIMBRA». A autarquia decidiu dar um novo visual à cidade, eliminando a sombra. Cada conimbricense vai, sem dúvida, sentir a diferença na pele. Literalmente.


E por falar em gestão de topo, veja-se o caso de enfiar os «TRÓLEIS NO FUNDO DA GAVETA COM COBRE NUMA SACA QUALQUER». Mais uma brilhante jogada tática dos nossos governantes locais. Um autêntico autogolo contra o futuro da cidade.


Coimbra gaba-se de exportar decisores políticos desde que o D. Afonso Henriques fez nascer Portugal de Coimbra (sim, o berço da nação é Coimbra). No entanto, pensar o amanhã parece ser pedir demais. No artigo «COIMBRA DEVERIA REFLETIR SOBRE O FUTURO DO TRABALHO», perguntamos: por que carga de água é que a nossa mui nobre Universidade de Coimbra não abre as portas a este diálogo? Mais um golo na nossa própria baliza.


Para fechar os destaques, analisamos «O ANTIGO PEDIÁTRICO COM DIREITO A DERRAPAGEM CULTURAL». Uma arquiteta explica o que fazer com aquele esqueleto abandonado há 15 anos. Contudo, as soluções cozinhadas à porta fechada pela Câmara Municipal levantam tantas dúvidas que quase parecem piada de mau gosto. Outro autogolo. Já estamos a perder por goleada.


No departamento da opinião, a nossa fiel amiga Manuela Jones assina «QUANDO O BRILHO DAS REDES APAGA A ALMA», uma tocante e necessária carta para um menino que se perdeu no mundo digital. Logo ao lado, Otávio Ferreira traz-nos «O Nacionalismo das Quatro Linhas e a Derrota por Goleada», dissecando com muito humor e lucidez esta nossa obsessão pelo futebol em detrimento do resto.


O nosso advogado de serviço, João Maria Antunes, avisa que «O SELECCIONADOR NACIONAL QUE SE PONHA A PAU», provando que é a Briosa quem realmente dá cartas e ensina a tática. Por fim, Adriano JM Ferreira brinda-nos com mais um capítulo delirante de «DISCLOSURE DAY vs. CLOSE ENCOUNTERS - QUARTO ATO: "O FULMINAR DAS LUZES"».


Há mais para ler nesta edição de O Ponney. Não lhe pedimos um cêntimo, não lhe cobramos subscrições, nem lhe entupimos o ecrã com janelas de publicidade ranhosa. Só lhe pedimos uma coisa em troca: partilhe-nos nas redes sociais e ajude a espalhar a palavra.


Bom fim de semana.


José Augusto Gomes
Diretor do jornal O Ponney