2026 — O ILUSIONISMO CULTURAL E O METRO DOS TRINTA ANOS DE ESPERA

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Chegámos ao presente.


Para fechar com chave de ouro a saga de aniversário de O Ponney, fazemos um mergulho profundo no duplo pântano que move a atualidade da Lusa Atenas neste ano de 2026: a ilusão da Cultura e o eterno folhetim dos transportes públicos.

Comecemos pelo grande "truque de magia" da candidatura de Coimbra a Capital Europeia da Cultura 2027. Enquanto concorrentes como Braga ou Évora já andavam a fazer promoção de forma estruturada, por cá (pela cidade universitária) o projeto arrancou a passo de caracol.

A eficácia da comunicação foi tão brilhante que um estudo revelou o óbvio. onde mais de metade dos munícipes (62%) nem sequer sonhava que a cidade se estava a candidatar.

Mas a verdadeira crispação política na Assembleia Municipal estoirou quando se descobriram as contas do ilusionismo, Luís de Matos, o conhecido mágico que coordenava o Grupo de Trabalho, auferia uma remuneração principesca de 6.150 euros por mês.

Quando Coimbra foi vergonhosamente excluída da fase de pré-seleção nacional, a equipa, que ganhava à grande e à francesa, não aceitou o fracasso. Num passe de mágica argumentativo, acusaram o painel de jurados europeus de falta de transparência e de nem sequer terem lido o Bid-Book (o dossier de candidatura). Pa

Para a organização, a culpa da eliminação nunca foi do arranque demorado ou do despesismo sem ouvirem todos os intervenientes culturais. Por exemplo a caricatura que tanto caracteriza Coimbra foi enfiada debaixo do tapete Big-Book. Big, mas curtinho.

Porém a culpa foi, claro, do júri que não percebeu a genialidade da "magia" local. Onde até o Metro Mondego faz o seu ilusionismo com três décadas de mentiras, cartões de crédito e bares de Striptease.

Ilusionismo por ilusionismo, se na Cultura a coisa foi rápida a desaparecer, nos transportes a vergonha arrasta-se há trinta anos. As polémicas em torno do Metro Mondego constituem um dos casos mais flagrantes de má gestão pública e falsas promessas do país.

Para facilitar a digestão aos nossos leitores, O Ponney resume este descalabro em quatro blocos de pura comédia trágica:O Escândalo dos Cartões e os Estudos Duplicados.

A gestão da Metro Mondego, S.A. acabou no Ministério Público, com seis antigos administradores (não é pouca coisa) arguidos por suspeitas de administração danosa, peculato e participação económica em negócio. A investigação da Polícia Judiciária descobriu que os gestores usavam os cartões de crédito da empresa pública para pagar estadias em hotéis de luxo, jantares, vinhos caros, perfumes, festas infantis e até despesas em bares de striptease.

Naturalmente que tudo em prol do interesse público, com certeza.

Enquanto isso, gastavam-se fortunas a duplicar estudos técnicos e relatórios inúteis para um projeto que não saía do papel.

A grande modernização prometida foi um logro político, pois em 2010, arrancaram-se os carris e desativou-se a Linha ferroviária da Lousã, isolando as populações de Miranda do Corvo e Lousã.

Depois de décadas a prometer um metro ligeiro de superfície, o projeto foi reconfigurado para o "metroBus" (BRT) que, tirando os termos pomposos em inglês, são apenas autocarros elétricos articulados a circular em vias dedicadas.

O projeto passou por mais de meia dúzia de governos e acumulou uma fatura superior a 327 milhões de euros.

O descalabro temporal foi tão bizarro que membros do Governo tiveram de vir a Coimbra pedir desculpa formalmente às populações pelo atraso histórico.

Hoje, em 2026, as obras continuam intermináveis. O trânsito em Celas, na Baixa, na Avenida Sá da Bandeira e junto aos Hospitais (HUC) está num caos sistemático que revolta automobilistas e comerciantes. E para coroar a incompetência, o troço até Serpins iniciou finalmente a operação este ano, mas durou escassos 24 dias. A derrocada e instabilidade de um talude obrigou à suspensão imediata do serviço, mandando as populações esperar mais uns meses.

Para além disso, o debate político foca-se nas dúvidas sobre a sustentabilidade financeira do Metro Mondego a longo prazo e no buraco que está a deixar na rede dos SMTUC.

O grupo do Chá das Cinco de 2026 bebe calmamente o seu chá no trânsito. Como, aliás, manda a tradição de O Ponney, o grupo do Chá das Cinco continua firme nas pastelarias da moda em 2026, mesmo que tenham de ir a pé porque o autocarro ficou retido nas obras de Celas.

Entre um golo de chá e uma queijada, as suas cabecinhas pequenas, e assustadoramente vazias, abanam de indignação contra o nosso jornal:«Parece impossível! Ora uma destas! Atacar o senhor engenheiro do Metro e o senhor mágico da Cultura? O Ponney só sabe dizer mal de Coimbra e da Nação!», resmungam as velhas coimbrinhas modernas, apontando o indicador trémulo.

Agarrados ao eterno plágio “Tudo por Coimbra, nada contra Coimbra!”, o que eles realmente querem dizer no dialeto da hipocrisia é “Não falem dos cartões de crédito do striptease, nem do talude que caiu, nem dos 327 milhões derretidos, porque criticar a incompetência dos doutores é ser contra a cidade”.

Mas a redação d’O Ponney, que celebra o seu aniversário com o orgulho de quem nunca se vendeu ao mofo institucional, fecha esta série especial com os olhos bem abertos e uma visão jornalística de 360 graus.

Em 1929 empurrámos o ovo da ditadura;
Em 1969 juntamo-nos ao pedido da palavra, ainda que com grandes riscos de vida; Em 1974 aplaudimos a Liberdade e defendemos o sonho Republicano;
Em 2004 expusemos o estádio fantasma;
E hoje, em 2026, continuamos aqui para morder os calcanhares a quem confunde gestão pública com ilusionismos e cartões de crédito.

Os ângulos obtusos que fiquem a apanhar o metroBus... se o talude não voltar a cair e não se continuar a gastar com semáforos à doidinha.

 

JAG

95-06-2026