A LIÇÃO DE RESILIÊNCIA QUE A ACADÉMICA DÁ AO FUTEBOL PORTUGUÊS

A Associação Académica de Coimbra - OAF não é apenas um clube de futebol; é um ecossistema de memória, resistência e identidade que se confunde com a própria história da cidade e da Universidade.
Falar da "Briosa" hoje é, inevitavelmente, falar de um gigante que atravessa um dos períodos mais desafiantes da sua centenária existência, mas que mantém intacta a mística que a distingue de qualquer outra instituição desportiva em Portugal.
Atualmente na Liga 3, a Académica vive um paradoxo emocional. Por um lado, há o peso da saudade dos palcos da Primeira Liga, das noites europeias e da conquista da Taça de Portugal em 2012. É verdade!
Mas por outro lado há uma renovada energia que emana das bancadas do Estádio Cidade de Coimbra. A descida aos escalões não profissionais forçou o nosso clube a olhar para dentro, a reencontrar as suas raízes e a perceber que a sua maior força não reside em orçamentos milionários, mas sim na simbiose entre a academia e a cidade. Ver os estudantes de capa e batina misturarem-se com as gerações mais velhas de sócios é o lembrete constante de que o OAF é um património vivo, imune às flutuações das tabelas classificativas. E aqui é que importa perceber a dimensão do nosso clube de coração.
No entanto, um artigo de opinião por convite do meu grande amigo e diretor de O Ponney, José Augusto Gomes, sobre a atualidade do clube não pode ignorar as dores de crescimento, ou de renascimento, que marcam este percurso. A gestão de um clube com esta dimensão num escalão tão competitivo como a Liga 3 exige um equilíbrio tenso entre o pragmatismo financeiro e a ambição desportiva.
O "Espírito Briosa", tantas vezes invocado, tem sido o motor que mantém a equipa competitiva, transformando cada jogo numa batalha pela dignidade de um emblema que não pertence apenas ao passado, mas que reclama o seu lugar no futuro do futebol profissional português.
O que se sente hoje em Coimbra é uma esperança vigilante. A qualificação para o play-off de subida não é apenas um objetivo desportivo atingido; é uma validação da resiliência de quem nunca abandonou o clube nos momentos mais negros. Cabe-me brindar à claque negra da Briosa!
A verdade é que a Académica de Coimbra continua a ser o exemplo máximo de que o futebol pode ser mais do que um negócio - e aqui é que está o ponto mais importante para o futebol, seja nacional seja internacional, e a Briosa já o tem.
A Briosa é uma forma de estar na vida, onde o respeito pela tradição e a audácia da juventude caminham de mãos dadas. Independentemente do desfecho desta temporada, a Briosa já provou que a sua essência é indestrutível, provando que, em Coimbra, a lição é clara! Defendo que a grandeza não se mede pela divisão em que se joga, mas pela paixão com que se defende a camisola. E essa paixão terá o seu próximo grande teste já este sábado. O destino convoca-nos novamente ao Estádio Cidade de Coimbra, no dia 16 de Maio, às 16:30, para o embate frente ao CD Trofense. Este não é apenas mais um jogo; é o momento de transformar o apoio das bancadas no empurrão final rumo ao regresso que todos ambicionamos. Com transmissão no Canal 11, a lição será dada, uma vez mais, dentro e fora das quatro linhas. Vamos estar a apoiar o mais antigo clube de futebol nacional.
Resta-me gritar: BRIOOOOSAAAA!
João Maria Antunes
